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Quarto montessoriano. Você conhece?

Foto: Divulgação/Thaís Figueiredo
A médica e pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952) é conhecida como “a médica que valorizou o aluno”. Ela desenvolveu a linha montessoriana, que defende a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança. "Ela acreditava que a educação é uma conquista da criança, pois percebeu que já nascemos com a capacidade de ensinar a nós mesmos, se nos forem dadas as condições", diz Talita de Oliveira Almeida, presidente da Associação Brasileira de Educação Montessoriana. 

Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino.

A filosofia e os métodos elaborados pela médica italiana procuram desenvolver o potencial criativo desde a primeira infância, associando-o à vontade de aprender - conceito que ela considerava inerente a todos os seres humanos. Ela acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar.

Conhecendo o método, se tornou impossível não pensar em tudo isto quando estou conceituando um quarto de bebê. 

Minha inquietude começou quando tive meu primeiro filho e o vi preso por trás das grades do berço. Com mãe pedagoga, ouvi desde pequena que deveríamos deixar as crianças livres para enxergarem o mundo, evitando barreiras visuais ou quaisquer outras que nos limitem a visão e a percepção do que está à nossa volta.

Pois bem, ali estava eu - arquiteta com um bom tempo de formação e vasta experiência, e mãe de primeira viagem ouvindo a voz das mensagens subliminares da minha “mãe pedagoga” na minha mente – parada na porta do quarto do meu bebê, olhando para a linda decoração que montei para recebê-lo e pensando em como ele estava se sentindo preso dentro das grades do berço. 

Foi aí que começaram os questionamentos e discussões familiares. Nesta época, Davi tinha 4 meses. Levei um mês e meio argumentando e incutindo as ideias montessorianas na cabeça do meu marido e de quem mais quisesse ouvir.

Com cinco meses e meio fiz o primeiro teste, colocando o colchão do berço no chão, piso emborrachado e almofadas. Ele amou! No dia seguinte eu já tinha chamado marceneiros para desmontar o berço e definitivamente transformei o quarto em “montessoriano.

Foto: Divulgação/Thaís Figueiredo
Na decoração de um quarto montessoriano para bebês, há alguns itens fundamentais: cama-tatame (ou colchão no chão), piso emborrachado, barras de apoio, espelhos e brinquedos ao alcance das mãos da criança.

A cama no solo permite que a criança suba e desça para uma soneca quando estiver cansada, desenvolvendo sua autonomia; o piso emborrachado é fundamental para a segurança dos pequenos que ainda não aprenderam a andar, pois amortece as quedas; as barras de apoio auxiliam muito o equilíbrio para que o bebê se sinta seguro para andar; os espelhos estimulam a percepção dos reflexos, o reconhecimento de si mesmo e até mesmo o desenvolvimento da fala; e por fim, os brinquedos ao alcance em prateleiras baixas, cestos e caixas, ajudam a desenvolver o poder de escolha, o senso de disciplina ao tirar e guardar os próprios pertences e a individualidade, quando ele pega os brinquedos para brincar sozinho. Podemos ter ainda almofadas pelo chão, quadros decorativos, fotos... Tudo o que servir de estimulo natural e que você perceba que chama a atenção do seu filhote.

Para os maiorzinhos, há outras sugestões: deixar algumas roupas e sapatos em móveis baixos e de fácil manuseio para que possa aprender a escolher as vestes e se vestir sozinho; separar um local baixo para guardar o material escolar (mochila, livros, lápis, etc) de modo que ele mesmo possa organizar seu material diário para ir à escola e quando chega em casa; na transição do berço para a cama, escolher uma cama baixa (altura  máxima de 45cm) para que ele possa subir e descer sozinho em segurança.

Digo hoje com muita satisfação, que esta foi a melhor escolha que eu pude fazer pelo meu filho. Ele adora o quartinho dele e hoje percebo nele características muito importantes para a formação na infância. Segurança, independência (até demais às vezes! rs), domínio e reconhecimento do espaço como sendo o cantinho dele, criatividade e liberdade de escolha. Hoje continuamos evoluindo nesta mesma linha conforme sua idade vai avançando.

As fotos acima são de projetos meus para inspirar e sonhar!

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Thais Figueiredo

Thais Figueiredo

Thais Figueiredo é formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina, mora atualmente em João Pessoa e tem projetos assinados em diversos estados do Brasil e ainda nos Estados Unidos, Argentina e Suíça.