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Por que precisamos da Mulher-Maravilha?

A resposta ao título é simples: representatividade. Claro, a sétima arte é um negócio, uma indústria que rende milhões e que sempre calcula seus objetivos em busca de grandes faturamentos, nada mais natural. Mas, em tempos em que ser nerd é cool, e com a linha de produção  das adaptações em quadrinhos bombando, estava mais que na hora de termos uma heroína em voo solo.  

Foto: internet

O momento, embora tardio socialmente, surge em um timing estratégico perfeito para Warner e DC. Em 2016, com o lançamento de Batman vs Superman, surgiu uma oportunidade de introduzir à audiência a personagem de Diana Prince, a Mulher-Maravilha, interpretada pela belíssima Gal Gadot. O filme, um tanto problemático, polarizou o público, mas Diana teve uma aceitação praticamente unânime. Com este interessante termômetro abriu-se o caminho para o filme individual da heroina. Some este fato a outro: de que atualmente têm aumentado significativamente discussões de igualdade de gênero, ou seja, o feminismo estrategicamente se torna uma tendência a favor de um investimento comercial. Tanto é que os números de arrecadação do filme só reforçam isto . O longa-metragem faturou até agora cerca de US$ 500 milhões mundialmente e possui projeções de chegar até a casa dos US$ 800 milhões - enquanto estiver em cartaz e pelas estreias em outros países que ainda faltam receber o filme, como Espanha e Japão. 

Mulher-Maravilha também bateu alguns recordes importantes. O primeiro é o de ser, segundo a IndieWire, a produção cinematográfica de maior bilheteria dirigida por uma mulher nos EUA. Antes, quem carregava este título, era a cineasta Amy Heckerling, pelo filme Olha Quem Está Falando, de 1989, que faturou na época US$ 303 milhões nos EUA. O filme da amazona, dirigido por Patty Jenkins, arrecadou US$318,38 milhões em solo norte-americano, até o momento. Tem mais! A produção deve se tornar em breve a mais rentável adaptação da DC para os cinemas, passando o Homem de Aço (US$ 291 milhões), Batman vs Superman - A Origem da Justiça (US$ 330 milhões) e Esquadrão Suicida (US$ 325 milhões). É muito poder!

Ver a heroina em ação desperta uma sensação singular de representatividade social e este é o maior ganho de Mulher-Maravilha. Uma pequena e significativa amostra do impacto que este filme causou e repercutirá nas mais diversas gerações está na declaração do diretor de Star Wars VIII, Colin Trevorrow, ao compartilhar uma foto com a reação da sua filha ao ver o filme. "Mulher-Maravilha antes e depois. Obrigada Patty Jenkins", escreveu o cineasta.

Foto: internet

 Ele ainda comentou um pouco mais sobre o ocorrido em entrevista ao site Fandango. “Ela teve uma reação muito profunda sobre o filme. Achamos que seria muito longo para ela, não tínhamos certeza se ela acompanharia, mas ela saiu do filme dizendo 'quero ver esse filme todos os dias e sou a Mulher-Maravilha'. Foi uma coisa incrível de ver acontecer. Aquele filme é importante. Realmente é" – declarou Colin. 

A Warner e o cinesta Zack Snyder (Batman vs Superman), responsáveis pela escalação da atriz Gal Gadot, demonstraram-se certeiros em construir uma imagem forte, carismática e ousada para a heroina. A personagem nos quadrinhos possui um visual musculoso, com curvas acentuadas e seios grandes. Algo que possui uma explicação coerente nos quadrinhos, pela verdadeira origem de Diana e pelo forte treinamento recebido pela comunidade amazona, mas, enquanto obra comercial que é, o quadrinho também servia para os fetiches do público masculino. Ao escolher Gal, que possui um biotipo mais magro e menos curvilíneo, a produção reforça seu posicionamento feminista condizente a atual realidade, sendo mais representativo. 

O filme Batman vs Superman criou uma oportunidade orgânica dentro do universo cinematográfico da DC para contar a história de Diana. Não é preciso olhar atentamente para perceber que a trama traz uma jornada, em termos de narrativa, comum ao gênero de adaptações de HQs. Estamos diante da tradicional construção de origem do heroi, algo que vimos tantas vezes em tantas produções. Contudo temos um grande porém aqui, este herói é uma mulher, e ele é a representação da força e honra da figura mítica em toda sua glória, como toda figura com status de super deve ter, independente do gênero. Ela é um super-herói, que enfrenta seus desafios normais de salvar o mundo, com o plus de enfrentar pré-julgamentos sociais chocantes que gostariam de lhe impor limitações, simplesmente por ser mulher. Mas Diana desconhece estes limites, ela sabe o que deve fazer e não deixará ninguém a impedir. Ela não precisa ser salva. Ela irá nos salvar. Mais do que isso, ela irá nos inspirar. Afinal, não é só a filha do diretor Colin Trevorrow que quer ser a Mulher-Maravilha, todas nós queremos. 


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Ingrid Heckler

Ingrid Heckler

Ingrid Heckler é publicitária e apaixonada por cultura pop, com atuação e experiência na área editorial Nerd/Geek. Conjuga o verbo maratonar com frequência. É fascinada pela magia e estratégias de uma inspiradora construção de branding e adora uma teoria da conspiração.