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Artigos de saúde e bem estar

Vacinas imunizantes e notícias falsas

Foto: divulgação
Imaginem as ruborizantes e indignadas reações, se vivos fossem, dos grandes cientistas e médicos inventores das vacinas comprovadamente eficazes, de que hoje dispomos, e que são usadas com êxito em todos os continentes - entre eles, Louis Pasteur (antirrábica); Edward Jenner (antivariólica); Jonas Salk e Albert Sabin (antipoliomielite) – em relação à atual proliferação de notícias falsas, veiculadas sobretudo, nas plataformas digitais, quanto a sequelas que poderiam advir de alguns produtos biológicos, tais como os que conferem imunidade contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, com os quais estaria relacionado o espectro do autismo, segundo estudos divulgados em 1998, teoria essa que foi posteriormente desmentida pela própria revista que a publicou.

Também não é veraz a informação de que a vacina combinada contra difteria, tétano e coqueluche possa ser causa da síndrome de morte súbita infantil. Em relação a esta, o que pode ocorrer é que as imunizações tenham sido feitas em momento no qual os bebês sofriam dessa patologia, isto é, as mortes pela síndrome são coincidentes à vacinação e teriam ocorrido mesmo se nenhuma vacina houvesse sido aplicada.

Infelizmente, remanescem, até hoje, interpretações equivocadas sobre aquela malfadada divulgação, inverdades essas que continuam a ludibriar os incautos ou a atender a propósitos inconfessáveis de alguns. A maioria das reações pós-vacinais é pequena e temporária e não vai além de dor localizada e febre moderada, e as doses aplicadas não trazem quaisquer danos às crianças. Sobre serem bastante seguras, as imunizações são absolutamente necessárias, sem negligenciar, é claro, as medidas de higiene e o suprimento domiciliar de saneamento básico.

Precisamos nos contrapor, vigorosamente, a esse noticiário tendencioso que já causou significativas abstenções às campanhas de vacinação, bem como o ressurgimento de epidemias de doenças infecciosas evitáveis que já haviam sido erradicadas do nosso país. As vacinas são gratuitas e estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde do país. Por outro lado, o Governo deve voltar a exigir que as matrículas em creches e no ensino fundamental só sejam concedidas às crianças vacinadas, em conformidade as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

 Sebastião Aires de Queiroz, pediatra e médico do trabalho CRM-PB: 475


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