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Telemedicina, o futuro que chegou

Foto: divulgação
Em março deste ano, o Conselho Federal de Medicina reconheceu ser possível o uso ético da telemedicina no Brasil, já estabelecida na Resolução CFM nº 1.643/2002 que continua vigente e tem base em preceitos internacionais. A decisão vale em caráter excepcional enquanto durar o combate à pandemia de covid-19.

A telemedicina veio suprir uma necessidade efetiva e tem sido considerada um recurso fundamental para garantir o atendimento a portadores de patologias e comorbidades preexistentes ou concomitantes à pandemia que não possam comparecer a consultas médicas presenciais devido ao isolamento social vigente.

Em 2012, quando escrevi neste espaço algumas considerações sobre a relação médico-paciente, jamais imaginaria que oito anos depois estaríamos em meio a uma pandemia, mergulhados em números estratosféricos de contaminações e mortes. Tantas coisas solapadas, outras vilipendiadas, o país gemente de dor pelas suas perdas de um lado e completamente indiferente do outro.

Várias plataformas já estão disponíveis para teleconferências e permitem realizar teleorientações, telemonitoramento e teleinterconsultas, viabilizando a resolução por via remota de inúmeros problemas que, sem essa abordagem, não seriam resolvidos e poderiam prejudicar os pacientes.

É claro que há limitações, a principal delas a impossibilidade do exame físico e de realizar manobras que podem já sugerir um diagnóstico, aumentando a necessidade de exames complementares. Mas o que fazer em meio a uma pandemia?

A medicina pode, sim, ser bem exercida nesse formato desde que médicos e médicas tenham a humildade de reconhecer os limites impostos pelas características próprias das circunstâncias; que partilhem a existência deles com o paciente; que garantam o sigilo e a guarda de dados do paciente; e finalmente que busquem as soluções possíveis para os problemas que lhes forem apresentados.

Tudo que listei são pressupostos para o exercício da boa medicina, pois a consciência das limitações e a participação também consciente do paciente na condução do seu caso são armas essenciais para se encontrar a melhor solução para o que o aflige.

O Brasil já tem inclusive relatos (de muitos anos antes da pandemia) da existência de projetos experimentais com telemedicina em comunidades ribeirinhas da Amazônia, com bons resultados descritos na literatura médica. Portanto, mesmo após a pandemia, quem sabe a contribuição desse método pode torná-lo um bom instrumento coadjuvante nessa batalha para o acesso à saúde que nossa população - mormente a mais carente - trava no nosso país.

A telemedicina é um futuro que nos chegou já quase um pouquinho atrasado. Isso reforça que não é hora de cruzarmos os braços e sim de nos abrirmos ao novo e nos engajarmos nesse ambiente tecnológico para a promoção e prevenção da saúde. E reitera que a relação médico-paciente pode ser boa e eficaz em qualquer cenário, se não nos esquecermos que continuamos a lidar com as dores humanas.

Maria de Fátima Duques | CRM-PB: 2638 | Especialidade: Gastroenterologista


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