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Tratamento da Covid-19

Foto: divulgação
No início, todos os holofotes para a vedete cloroquina. Subiu ao estrelato pelos degraus da desinformação da população, da ausência de outras drogas, do medo compreensivo de uma infecção desconhecida, com um nível de virulência capaz de remeter muitos infectados à UTI, ao necrotério. No papel de coadjuvante, a azitromicina. Os dois com repercussões colaterais no coração.

Na sofreguidão de se buscar respostas para a violência da infecção, que abalou profundamente as estruturas de todo um sistema de vida ao redor do planeta, o mundo científico desenvolveu uma infinidade de estudos, sem, no entanto, ratificar a eficácia da hidroxicloroquina.

Na contramão do entusiasmo da população, que quase esgota o estoque da droga, as Sociedades Brasileiras de Pneumologia, Infectologia e as entidades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças Americano, o Centro Europeu de Controle e Prevenção das Doenças, de olho naqueles estudos, preferiram não recomendar o seu uso.

Já o prestígio da ivermectina surgiu na mesma proporção que a cloroquina perdia ibope. Os estudos disponíveis, no entanto, não foram suficientes para respaldar aquelas entidades sanitárias, no sentido de recomendar sua utilização de forma indiscriminada, conforme se observa no ânimo das pessoas, que acreditam não só tratar, mas prevenir a infecção.

A preocupação fica por conta do pensamento generalizado de que essas medicações curam e previnem a covid-19, estimulando o relaxamento do distanciamento entre as pessoas, base fundamental na redução da cadeia de transmissibilidade do coronavírus.

Registre-se, no entanto, a capacidade do corticoide dexametasona no processo de redução da tempestade inflamatória que ocorre nos pulmões, produzindo o desconforto respiratório progressivo do infectado. A boa notícia - e ótima receptividade nos meios científicos - surgiu após estudos desenvolvidos pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, indicando redução significativa na mortalidade de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Mas, alerta a Sociedade Brasileira de Pneumologia: só deve ser usada nos casos graves, com o paciente necessitando de oxigenoterapia ou ventilação mecânica.

É indispensável informar, ainda, que as inúmeras reações adversas dos corticoides contraindicam formalmente seu uso, sem a devida necessidade clínica.

A pura verdade é que a voracidade do novo coronavírus só respeita mesmo duas atitudes, que estão vinculadas à consciência de cada um de nós: uso de máscaras e o isolamento social!

Sebastião de Oliveira Costa, CRM-PB: 1630, Especialidade: Pneumologia.


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