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Costanza Pascolato

“Respeitar sua essência é o jeito mais inteligente de construir seu estilo, sua maneira de viver e de se vestir"

Empresária e consultora fala sobre o acesso e as tendências do mercado da moda no Brasil

Foto: Divulgação


A uber empresária e consultora de moda Costanza Pascolato esteve recentemente em João Pessoa para um evento exclusivo. Ela conversou com o Paraíba Total sobre mercado da moda e avaliou o consumo na atualidade. Confira trechos: 

Que elementos poderia pontuar que mudaram a percepção de consumo e de mercado, seja com a chegada das blogueiras e com os impactos das novas tecnologias?

Bom, eu acho que o que houve de diferente foi a entrada da internet na nossa vida. Que abriu a imagem em si para o acesso de qualquer pessoa que a quisesse. Eu sou uma pessoa que cresceu com revista e a gente sabe que o impresso hoje está sofrendo realmente uma crise muito grande, porque antes eles eram as únicas fontes de referências no caso de moda, assunto que estamos abordando. Isso, primeiramente porque a indústria era menor e até os anos 90 não se importava nada no País. Portanto, tinha muito espaço para evoluir, ganhar dinheiro, como aconteceu com a indústria do jeans brasileiro que criou na época umas empresas que ficaram milionárias e que agora, umas foram vendidas e outras desapareceram de cena.

E quais são hoje as principais tendências do mercado brasileiro?

Hoje o que acontece é o que chamamos de duas tendências. Primeiro o que chamamos de fast fashion, moda rápida, que significa um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados – literalmente – rápido. Ou seja, os verticais, tais como Riachuelo, Renner etc., exceto C&A que é estrangeiro. E estamos falando de coisas nacionais. E isso fez com que a classe média conseguisse consumir moda, pois eles fazem moda mesmo, jovem e com o preço acessível. Já que com a crise a classe que mais comprava em shopping desceu para comprar fast fashionA outra tendência é que estão surgindo coisas que eu acredito que venha ser o futuro, que são os startups de moda, como os cariocas que fazem pequenas marcas muito interessantes e são criativas e custam pouco e ainda são comprados pela internet. 

A crise também foi detectada em algumas marcas de fast fashion. Isso afetou também na produção da moda, já que no consumo assim ocorreu?

Eles estavam comprando muito na Ásia, quer dizer que, de uma certa maneira eles quiseram recomeçar a trabalhar no Brasil. Mas, tem um pequeno problema que é a técnica de confecção, pois a maioria não sabe produzir roupa de qualidade. E isso é um defeito que eu culpo um pouco às escolas de moda. Porque se a China conseguiu aprender dos italianos, eles copiaram tudo, essa maneira de fazer roupa bem feita, bem trabalhada, e que fornecem para todo o mundo, por que não aprendermos também a fazer o que bom e de qualidade? O que vejo é que o Brasil ainda está um pouco atrasado no tocante à engenharia da roupa. Já que se faz uma modelagem, mas se tem que aprender que a fazer com que ela seja reproduzida milhares de vez e com perfeição. E isso leva um designer, passagens que não deem muito trabalho e não corra o risco de terem muitos defeitos.

Em relação à mulher nordestina, há diferença no consumo em relação à brasileira?

É apenas uma questão de imagem, o acesso à imagem. Eu tenho 78 anos e para mim antes a referência era o cinema e quando a televisão apareceu foi uma verdadeira revolução nos anos 60. Então, a questão da imagem é apenas ela alcançar as pessoas normais. Imagine agora com a internet, que tudo chega mais rápido e de qualquer parte para você? Agora se você quer copiar uma espécie de ícone, tudo está lá e acessível. Hoje tem inúmeras meninas que se espelham em outras e ficam a todo instante mudando de look. Isso se for o look do dia, porque se não for, deixam de acompanhar. 

É muito caro ser uma pessoa chique?

Bom, na minha opinião, ser chique também é uma questão pessoal. Pois, você poder estar bem consigo mesmo, e eu sempre escreve nos meus livros, que o grande lance é na verdade se encontrar, saber o seu jeito, qual o seu gênero. Aprender a gostar dos seus defeitos, já que nós sempre acreditamos ter vários. Então, o conselho é que ao invés de ficar julgando e querendo ser outra pessoa, por que não valorizar aquilo que realmente você é e tem em sim?! E muita gente consegue fazer isso. Pois, isso só faz lhe dar uma auto-segurança, autoestima, e assim você aprende a gostar de si e se achar uma pessoa chique. Eu mesmo convivi com mulheres deslumbrantes a minha vida inteira e todas elas se acham feias de algum jeito. Para se ter ideia Gisele Bundchen acha defeitos nela! Então, o que vale é você se ver e se gostar para ficar forte.

Paraíba Total
Andréia Barros



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