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José Inácio de Morais

"O setor, além de desestimular a migração do campo para as cidades, é gerador de emprego e renda e, consequentemente, desenvolvimento"

Novo presidente da Asplan - PB aborda expectativas do setor para os próximos anos

Foto: divulgacao
A Asplan é uma entidade que existe há 60 anos. A cultura canavieira, não apenas na Paraíba, mas no Nordeste, ocupa lugar de destaque. A Paraíba é o único estado do Nordeste que vai manter a produção canavieira na atual safra, conforme adiantou o novo presidente da entidade, José Inácio de Morais. 

Segundo ele, em entrevista exclusiva ao Paraíba Total, a Asplan espera defender os interesses dos produtores de cana da Paraíba, representa-los nas instâncias municipal, estadual e federal e fazer com que a sociedade e o mercado, cada vez mais, respeite esse setor, reconhecendo-o como vital para a economia e desenvolvimento das regiões onde há produção canavieira. Veja a entrevista que segue. 

Como está a atual situação dos produtores canavieiros da Paraíba? 

Acabamos de enfrentar cinco anos de uma das piores secas que já tivemos. O preço da tonelada de cana, atualmente, em torno de R$ 80,00, não cobre, sequer, os custos de produção. O pagamento da subvenção não saiu e o acesso ao crédito ainda é muito difícil para o pequeno produtor, que representa mais de 80% de nossos associados, de forma que estamos vivendo um período desfavorável. Entretanto, há luz no fim do túnel, e a principal delas se chama Renovabio. Neste projeto, que é uma nova política nacional para os biocombustíveis não apenas o setor, mas o país terá grandes e significativas mudanças.

Quais os principais gargalos do setor e como a sua gestão pretende contribuir para solucioná-los?

O principal gargalo para o produtor é o preço da cana que está muito baixo, mas, infelizmente, essa remuneração não depende de uma ingerência local, ela diz respeito a uma conjuntura nacional e está atrelada diretamente aos valores do mercado de açúcar e álcool além da política nacional de combustíveis. Por essa razão, a minha gestão em nada pode contribuir para alterar essa realidade. O que podemos fazer, em nível de Asplan, é dar o suporte técnico necessário ao produtor para que ele enfrente os desafios da atividade de forma menos danosa possível.

Quais os atuais números  da Asplan?

Atualmente, temos cerca de 1.600 associados, sendo mais de 80% deles, pequenos produtores, com produção de até mil toneladas. Hoje temos cerca de 80 funcionários, que dão o suporte aos nossos associados em serviços diversos, a exemplo de assessoria jurídica, técnica, medicina do trabalho, georeferenciamento, serviços médicos e odontológicos, distribuição de insumos biológicos, entre outros.

Qual a previsão para a próxima safra? Qual previsão de conclusão da moagem nas usinas? E qual a expectativa de produção em álcool e açúcar? 

A expectativa é a Paraíba manter sua produção, algo em torno de 5,5 milhões de toneladas/safra. A estimativa é moer até final de janeiro começo de fevereiro. Não temos ingerência sobre a produção de açúcar ou álcool, isso é uma prerrogativa das indústrias. Somos fornecedores de matéria-prima para as indústrias.

Quais os principais avanços obtidos pela entidade nos últimos anos?

Recentemente, ainda na gestão do ex-presidente Murilo Paraíso, concluímos uma reforma no prédio sede que modernizou a Asplan, ampliou espaços, criou outros e melhorou toda a dinâmica da Associação, além de melhorar a receita da entidade, com a disponibilidade de novas salas para alugar. Também ampliamos serviços, a exemplo da consultoria financeira, que dá o suporte necessário para o produtor administrar suas finanças

Na sua ótica, a geração de emprego e renda em todo setor produtivo continua favorecendo ao desenvolvimento do nosso Estado e da região? 

Somos responsáveis pelo maior contingente de empregos no campo que, no caso da cana-de-açúcar, em épocas de safra, atinge entre 30 e 40 mil trabalhadores. Isso além de desestimular a migração do campo para as cidades, é fonte geradora de emprego e renda e, consequentemente, desenvolvimento. E além da cana-de-açúcar, a Paraíba é grande produtora de inhame, banana, abacaxi, entre outras.

Como anda a produção de insumos biológicos (vespas e fungos) produzidos na Estação Experimental da Asplan-PB, localizada em Camaratuba? 

Produção de Cotesia flavipes (vespas), até o mês de outubro ( janeiro a outubro) foi suficiente para proteger 26.881 hectares. Produção de fungo Metarhizium anisopliae, foi de 11.368 kg. A distribuição para os associados é gratuita e a produção também é vendida para o público interessado a preços acessíveis.

Como andam os pleitos regionais e nacionais que a Asplan-PB tem apoiando juntamente com a Federação dos Plantadores de Cana (Feplana) e demais entidades do segmento?

A grande questão do momento é a aprovação do projeto de lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, chamada de RenovaBio. O PL foi aprovado nesta terça-feira, 28 de novembro, na Câmara Federal e segue agora para o Senado. O RenovaBio é a grande esperança do setor sucroenergético nacional porque estimulará o aumento da produção de biocombustíveis no Brasil, a fim de que o país cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris que prevê a redução gradativa das emissões de gases de efeito estufa. Esse projeto cria metas anuais dos distribuidores de combustíveis, com a definição de percentuais obrigatórios de biodiesel que deverão ser adicionados gradativamente ao óleo diesel, e de etanol anidro que será acrescentado na produção de gasolina entre 2022 e 2030. Esse é um pleito de todo o setor. Outras demandas do setor passam pela melhoria do preço da cana, mudanças na legislação ambiental no que diz respeito a obtenção das licenças, melhor acesso aos créditos bancários, uma alteração no cálculo da remuneração da cana, incluindo na remuneração outros subprodutos da matéria-prima, além do ATR, como é hoje.



redação Paraíba Total
adaucelia palitot



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