Linguagem
Joana Mariani

"O Fest Aruanda, que acontece na Paraíba, é um festival muito consistente, importante e querido"

Diretora conta como foi a produção do filme "Todas as canções de amor" e a exibição no Fest Aruanda

Foto: mano de carvalho
O romance “Todas as canções de amor” marca a estreia de Joana Mariani na direção de longas-metragens de ficção. Em cartaz nos cinemas nacionais, o filme teve a sua estreia na Paraíba na abertura do 13º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro.

O longa também marca a estreia de Marina Ruy Barbosa nas telonas. Ela interpreta Ana, recém-casada com Chico, interpretado por Bruno Gagliasso. Eles se mudam para um apartamento em São Paulo e, dentro de um armário, Ana encontra uma fita k7 com canções dos antigos moradores, um casal em crise formado por Clarice, papel de Luíza Mariani, e Daniel, vivido por Julio Andrade. Mesmo com a diferença temporal, as histórias dos casais guardam muito em comum.

É impossível não cantar junto “Todas as canções de amor” da trilha sonora escolhida por Maria Gadu, produtora musical do filme. São músicas de Cartola, Gilberto Gil, Chico Buarque, Marina Lima, Marisa Monte, entre outros.

Confira a entrevista com Joana Mariani.

O filme marca sua estreia na ficção, como diretora, e já ganhou o Prêmio da Crítica na 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Como é vir apresentar o filme no Fest Aruanda, abrindo o festival aqui na Paraíba?

Eu adorei o convite. Como a gente ia lançar o filme em setembro, depois passou para novembro, a gente sabia que a carreira de festivais dele, dentro do Brasil, podia ficar um pouco limitada, por ser um filme que já teria sido lançado. E foi uma super surpresa boa que o Fest Aruanda tenha feito o convite, mesmo com o filme em cartaz. Nunca tinha estado aqui, mas agora, depois da experiência... É muito legal, porque, mais do que um festival é uma coisa que tá incentivando o cinema brasileiro e paraibano a ser realizado e, depois, ele comunica com esse cinema. Então, eu tô super bem impressionada com o festival.

Fala um pouco dessa relação entre a Primeira Arte (música) e a Sétima Arte (cinema) e como elas se misturam no filme.

Eu falo muito dessa coisa de que, às vezes, a gente acha que o cinema é imagético; o cinema é audiovisual! Durante todo tempo a gente tá falando de áudio e de visual. Dizem que quando o cinema mudo estava prestes a acabar, o que salvou ele foi exatamente a ideia de ter concertos nas salas acompanhando aquilo ali. Então, a música vem acompanhando as imagens do cinema desde sempre. Eu acho que inconscientemente – agora, depois desse filme, mais conscientemente – na Mar Filmes a gente tem uma tendência a trabalhar muitos projetos que tem essa característica: de ser uma soma do áudio com o visual de forma completa mesmo. “Os saltimbancos” é uma animação, mas também é um musical; o “Magal” é um filme biográfico sobre o [Sidney] Magal, mas também é um musical; “Todas as canções” é um filme sobre relacionamentos, mas também tem a fita k7; a gente tem uma série de televisão infanto-juvenil que fala sobre uma banda. Então, eu acho que a gente gosta! A filha da minha sócia é cantora, é música. Então, eu acho que faz parte do DNA da produtora essa mistura.

Você disse que não é saudosista, mas muitas músicas da trilha do filme remetem e fazem parte da história de muita gente. Você disse também que começou o filme com a sua playlist pessoal. Comenta um pouquinho sobre isso.

Eu sempre tive essa relação com música, sempre gravei muita fita, sempre tive esse hábito: primeiro fita, depois CD, depois playlist no IPod... Eu sempre fui aquela pessoa que os amigos pedem a playlist. E sobre momentos... músicas que remetem à momentos! Não necessariamente só separações, sabe? Mas, sei lá... Tim Maia e “Eu gostava tanto de você” me lembram as viagens que eu fazia pra Búzios com os meus amigos, que a gente alugava uma casa e eu tinha uma fita que começava com essa música. Então, a gente botava essa música pra dançar e eu botava uma flor no cabelo e ficava dançando essa música... Então, eu tenho essa coisa de músicas que remetem a momentos! Momentos como esses, ou a separações, ou à início de namoro, ou a viagens... A ideia do “Todas as canções” veio naturalmente... quer dizer, o que uma pessoa faz quando quer se separar? Grava uma fita! [ri] Foi daí que veio a ideia... E muitas dessas músicas faziam parte das minhas fossas, vamos dizer assim.

Qual a sua avaliação sobre o Fest Aruanda e a sua participação?

Tô morrendo de pena de ter ficado tão rápido! Eu quero passar mais tempo da próxima vez que eu vier. O Fest Aruanda, que acontece na Paraíba, é um festival muito consistente, importante e querido! A minha participação acho que foi ótima! A sessão foi linda, o debate foi super legal, inteligente... São pessoas que eu admiro, que pensam, que escrevem e eu gosto muito. Foi muito bacana ouvir as opiniões deles. Eu sei que é um filme que, não necessariamente, é um filme de festival; ele nunca se propôs a ser um filme de arte; e eu acho muito legal o carinho que algumas pessoas que normalmente gostam de filmes de arte abraçam o “Todas as canções”. Pode não ser exatamente o gênero favorito deles, mas tem uma boa vontade, uma compreensão e um carinho pela atuação, pela potência de um personagem ou de outro, então isso é uma coisa que me deixa muito feliz! Então, eu saio daqui querendo voltar e ficar mais tempo!


Especial para o Paraíba Total
Samuel Amaral



Outras Entrevistas