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César Piva

"O Aruanda, e os demais festivais e mostras no Brasil, são ambientes fundamentais para diminuir a distância entre o público e o filme"

César Piva, gestor cultural fala sobre a produção audiovisual independente no Brasil

Foto: Mano de Carvalho
Muito mais do que o país do futebol e do carnaval, o Brasil, é também, rico em diversas manifestações artísticas, entre elas o cinema. Entre os dias 28 de novembro e 4 de dezembro, aconteceu em João Pessoa a 14ª edição do Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, que contou com a presença de diversos cineastas, artistas e reuniu amantes de cinemas e curiosos em mesas, debates e apresentação de produções audiovisuais independentes. Entre os convidados estava César Piva, que é gestor cultural desde 1992, e possui experiências em programas de cultura e desenvolvimento local, além de ser diretor executivo da Agencia de Desenvolvimento do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais e coordenador geral do Projeto Escola Animada desde 2013, que falou sobre suas experiências, sua participação no festival e a importância dele para a produção cinematográfica brasileira.

Confira entrevista na integra:

Como você define a sua participação como representante da produção audiovisual na Zona da Mata no 14º Fest Aruanda?

A nossa participação consistiu em apresentar nossa experiencia na construção de um arranjo criativo e produtivo lá da Zona da Mata. Viemos expor essa experiencia de que é possível que pequenas e médias cidades brasileiras se apresentem também. Acredito que existe criatividade, existe uma potência, muita gente competente e capaz. E esse arranjo que apresentamos ontem, essa experiencia no polo, é uma prova disso. Um dos nossos principais objetivos é fazer com que pequenas e médias cidades brasileiras possam, também, realizar e buscar uma nova economia focada na criatividade e no conhecimento. E o polo, nesses anos todos, procurou atrair grandes produções cinematográficas e de televisão, para serem realizadas na região, e nelas conseguimos retratar a beleza da zona da mata, como no filme que apresentamos, aqui no Fest Aruanda, “Maria do Caritó”, onde a região, a beleza do nosso campo, das nossas pequenas cidades foi demonstrada. E essa é a ideia, revelar nossa diversidade cultural, nossa beleza natural e o nosso patrimônio histórico.

Na abertura do Fest Aruanda foi falado muito sobre resistência do cinema nesse momento difícil e mostrar todos esses lados que o Brasil tem. Quais os obstáculos em fazer cinema independente no país?

O nosso desafio sempre vai ser fazer com que os filmes sejam realizados, que a nossa historia e a nossa diversidade cultural seja revelada e principalmente alcançar a população, o cidadão brasileiro, para que ele tenha conhecimento e possa experimentar esse mundo do audiovisual e da criação e valorizar o que é nosso. Então eu julgo que o nosso maior desafio é alcançar o público, fazer com que filmes como os que aqui foram apresentados alcancem o público, porque é para ele que trabalhamos, para que ele tenha gosto pela nossa cultura e diversidade. Nesse momento, o principal desafio é garantir tudo que conquistamos, principalmente nesses últimos 20 anos, a nossa agencia de desenvolvimento, a ANCINE – Agencia Nacional de Cinema, que é uma instituição de regulação e de fomento a produção audiovisual e independente brasileira, extremamente importante e resultado de muita batalha do setor. Hoje mais do que importante ela tem um volume de recursos significativos e que dá vazão a produção de cinema brasileiro nos últimos anos. Em 2000 tínhamos entre 10 e 15 filmes sendo filmados no país inteiro e hoje esse numero é superior a 100 filmes sendo produzidos em território nacional e isso precisa ser garantido. E eu tenho certeza de que conseguiremos manter e alcançar o grande publico. 

Como você enxerga a importância do Fest Aruanda para a produção audiovisual brasileira?

O festival Aruanda, e os demais festivais e mostras no Brasil, são ambientes necessários e fundamentais para diminuir essa distância entre o público e o filme. É o espaço onde não apenas é mostrado toda essa diversidade, mas também traz o público para que ele tenha acesso a produções independentes. Faz com que enxerguemos o que buscamos nos últimos 20 anos: o cinema brasileiro se espalhando por todo seu território, pois a produção audiovisual não acontece apenas no sul e sudeste, mas em todo o país. Então o festival tem essa importância, essa história, que prova nossa criatividade, nossa capacidade de produzir coisas belas e fazer um imaginário para que a população possa sonhar com um mundo melhor a partir do conteúdo que estamos produzindo.



Redação Paraíba Total



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