Linguagem
Carlos André Cavalcante

“A quantidade de pessoas que quer passar em medicina é enorme, mas querer não é poder, tem que ter força de vontade, disciplina, foco”

Professor e proprietário do Over Colégio e Curso conta a história de sucesso no Rio Grande do Norte e chegada na Paraíba

Foto: divulgação
Educação de qualidade é o primeiro passo para uma aprovação e de aprovação o Over Colégio e Curso entende perfeitamente. A escola que foi fundada pelo Professor Carlos André Cavalcante, começou com aulas particulares e a mais de 20 anos é líder em aprovação. Ele é formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e leciona a mesma disciplina, é dono do Colégio e Cursos Over, com unidades em Natal, Mossoró e João Pessoa, com cerca de quatro mil alunos e índices de desempenho excelentes no IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Filho de militar e estudante do Colégio Militar, implantou um regime de dedicação total ao estudo para obter excelentes resultados de seus alunos. Na entrevista Carlos André falou um pouco sobre o início do Over e sobre os ideais da escola. Confira na íntegra:

Você tem uma escola e curso famosos por índices de aprovação nas melhores universidades. Como tudo começou?

Eu sempre fui um aluno muito bom, nunca errei nenhuma questão de matemática, fiz quatro vestibulares e fui primeiro lugar em três. Minha família era de classe média baixa, e pela filosofia do meu pai, que era militar, a gente nunca pegava em dinheiro. Quando minha família estava mais folgada, minha mãe ia na escola e comprava o lanche, não dava o dinheiro pra gente. Eu comecei a precisar de dinheiro na adolescência e um vizinho me deu a dica de dar aula particular.

Com quantos anos isso aconteceu?

Com dezesseis anos. Eu dava aula de todas as disciplinas. Dava aula na cozinha da minha casa, e fui tomando a casa com os meus alunos de História, um grupo de Matemática, mais um de Física, e por aí vai. Dava aula simultaneamente, só não dei aula no quarto da minha mãe. Fiquei famoso, as pessoas ligavam e diziam: “Quero uma aula de Química agora”. Eu dizia: “Vem” Comprei um carro com o dinheiro de aulas particulares e fiquei muito conhecido. Aí resolvi abrir um cursinho de Física, minha matéria preferida, o Overdose de Física, que rapidamente teve mil e duzentos alunos, e depois lançamos o Overdose de Matemática, História, Química, Geografia, e uns seis anos depois, virou um cursinho completo. Com dez anos viramos um colégio, o Over, com cerca de quatro mil alunos. É legal, porque foi uma escola que começou na cozinha da casa da minha mãe.

Qual a expectativa com o aluno de João Pessoa?

Aqui em João Pessoa nós seremos apenas cursinho, mas mesmo assim, nosso perfil é fazermos muitas provas, de quinze em quinze dias. Criar essa cultura não é fácil porque é realmente muito puxado, o aluno tem que abdicar do lazer, dos almoços com a família... mas acreditamos que João Pessoa tem muito aluno bom, muita gente que quer Medicina, que é o curso mais difícil.

Sinto que as pessoas não valorizam tanto o estudo como antes...

Às vezes atraímos pessoas que têm condições financeiras, mas não valorizam a educação, não gostam de investir na educação dos filhos, preferem gastar numa viagem à Disney, e acha caro um cursinho bom, reclama. Enquanto em outros países é exatamente o contrário é difícil fazer as pessoas acreditarem que só com muita dedicação aos estudos a pessoa vai evoluir na escala social. E o aluno e o pai têm que entender que não é só assistir aula. As matérias de cálculo, principalmente, cerca de setenta por cento da aprovação é fruto de estudo em casa, é estudo sozinho. Investimos em cabines de estudos para que o aluno possa ficar aqui no cursinho o dia inteiro estudando, depois das aulas, e aqui tem monitor, tem assessoria. O resultado não é só aula. Na nossa primeira palestra com o aluno, que eu chamo de doutrinação, explicamos como o cérebro aprende. Querer todo mundo quer, a quantidade de pessoas que quer passar em medicina é enorme, mas poucos conseguem. Querer não é poder, tem que ter força de vontade, disciplina, foco.

Quais os problemas da educação no Brasil?

O professor no Brasil ganha muito mal. Para nós, o professor é como os melhores jogadores de futebol, são estrelas e tem que ser muito bem tratados. Nós fazemos o que o país não faz. O país não investe no professor. Enquanto isso não acontecer, não sai do lugar. Na última estatística, faltam 85 mil professores de Matemática, Física e Química no Brasil. Os professores de Geografia estão dando aula de Matemática. Nós elegemos os três melhores professores de todas as matérias e convidamos pra cá, e conseguimos os melhores, número um de cada matéria, como o professor João de Oliveira, Natália Andrade, Gustavo Sena, reunimos professores excelentes num só ambiente pela primeira vez e misturamos com os nossos melhores. É a seleção de João Pessoa com a de Natal.

Tem muitas reformas necessárias em curso, não é?

Sim, em breve o Brasil vai passar por duas reformas muito importantes, entre elas, a Base Nacional Curricular, que vai ser implementada e vai enxugar o programa de educação brasileiro. Na prova do PISA, no teste de conhecimento, o Brasil ocupa os piores lugares, perto de países africanos. O aluno brasileiro tem que tentar aprender 50 tópicos e o finlandês, cuja educação é modelo no mundo, estuda seis, por exemplo, muito menos conteúdo do que o brasileiro. Mas ele aprende mesmo e o brasileiro, não. Finalmente o país vai enxugar esses conteúdos e acho que será uma evolução para aprender de verdade. Quantidade não é qualidade. As mudanças já estão sendo discutidas há mais de vinte anos. Há muitas mudanças a serem feitas. A reforma do Ensino Médio também deverá ocorrer em breve. Se eu vou fazer um curso na área de Humanas, escolho só estudar o básico de matemática, química e física. Alunos podem ser da mesma turma, mas com interesses diferentes.



Rosa Aguiar



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