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Pedro Henrique Ramos

"Queremos provar a possibilidade de viver dignamente em terras secas, com a utilização de projetos renováveis"

Presidente da ONG Milagre Sertão celebra resultados e agradece voluntários em sete anos de existência

Foto: divulgação
Com sete anos de fundação e atuação no estado da Paraíba, o projeto Milagre Sertão foi criado para promover ações que auxiliassem famílias que vivem em zonas de seca no interior da Paraíba, fornecendo  alimentos, roupas, brinquedos e outros itens de necessidade básica, além de serviços importantes, como atendimento médico e odontológico. A ONG busca realizar ações efetivas e duradouras contra os impactos da seca, de forma que, além de assistência, promova incentivos para o comércio local solidário e sustentável, instalação de poços, cisternas e realização de cursos de capacitação.

A ONG que é reconhecida como utilidade pública por meio da Lei Estadual da Paraíba nº 10.894, de 26/05/2017, está funcionando principalmente de forma online, devido a pandemia, e conta com uma série de iniciativas por meio de seu site, além da lojinha. A ONG Milagre Sertão fica na Rua Antônio Rabelo Júnior, nº 81 Sala 01 e 02 - Miramar. Outras informações, no site milagresertao.org/, no (83) 3021-9891 e no insta @milagresertao .

O fundador e presidente do Milagre Sertão, Pedro Henrique Ramos, falou sobre o surgimento do projeto, seus desafios, sua importância, voluntariado e ações durante o período de pandemia na entrevista que segue.

De onde surgiu a ideia de criar a ONG? Qual era o principal objetivo?

Naquela época estava sendo muito falando em todas as mídias sobre a longa estiagem que nosso sertão enfrentava. Era carnaval, um colega iria partir pro sertão no feriado com intenção de doar água. Eu estava com uma boa quantidade de água arrecadada para esta finalidade, porém, acabou que viajei e não pude entregar as doações a tempo de ele levar. Quando voltei, me senti na obrigação de entregar tudo que havia arrecadado. Liguei para dois amigos, Zé Neto e Rodrigo, e pensamos em levar também mantimentos mais emergenciais, não só as águas. Em uma semana as ideias confluíram para criação da ONG. Nosso objetivo sempre foi ajudar o povo sertanejo e ser voz para eles na capital. Sabíamos que assistencialismo não resolveria o problema, mas além de suprir por um curto período as necessidades, nos daria espaço para conhecer a realidade daquelas pessoas.

Quais foram os maiores desafios para que o projeto acontecesse? Você acredita nos “milagres” que a ONG realiza?

Foram tantos. Desde a falta de conhecimento geográfico até a inexperiência no terceiro setor. Somos um projeto apolítico e nunca tivemos patrocínio que possibilitasse realizar nossas ações. Sempre conquistamos tudo com muita disposição e sacrifício. Particularmente não enxergo milagre com o teor religioso. Milagre, pra mim, é algo difícil de ser realizado, apenas. Então representa bem nosso trabalho. Acredito na perpetuação das boas ações que fazemos, esses são nossos pequenos (grandes) milagres.

Qual a importância da ONG? O que você sente em saber que ela já está no seu 7º aniversário?

A ONG hoje se tornou referência na luta pelos sertanejos paraibanos. Queremos provar a possibilidade de viver dignamente em terras secas com a utilização de projetos renováveis, além de capacitar as pessoas que muitas vezes não recebem oportunidade para tal. Por meio da ONG, muitos tem a possibilidade de conhecer e fazer parte de uma nova realidade, expandindo a sua visão de mundo.
Sinto um orgulho imenso de ter iniciado um projeto que só cresce e engrandece nosso Estado. Espero que alcancemos o objetivo daquele povo, pois o sonho deles, tornou-se o nosso!

Como funciona o voluntariado? O que é preciso fazer para participar das missões? Quem pode participar?

O voluntariado é a base de tudo que somos. Vale lembrar que “voluntariado” engloba desde a pessoa que repassa informações sobre o projeto até o dentista que presta atendimento nas ações. Somos um só corpo completamente dependente uns dos outros. Abrimos inscrições para novos voluntários duas vezes ao ano, apesar de seguirmos certos critérios para atender nossas necessidades do momento, qualquer pessoa é bem-vinda!

Qual a atual missão da ONG, durante a pandemia?

Nossa ação estava prevista pro primeiro semestre e devido às circunstâncias decidimos adiá-la para o próximo semestre. Continuamos recebendo doações e destinando para famílias necessitadas em toda Paraíba.

O que o Milagre Sertão representa para você? Como você se sente em poder ajudar tanta gente?
 
O Milagre Sertão é um sonho particular que nunca será concretizado. É um sonho que depende de uma luta permanente. O projeto mudou a forma que penso e observo as coisas e sou muito grato e abençoado por ter a oportunidade de conhecer diversas realidades, diversas pessoas, diversos locais. Por meio do projeto entendi que a força e a capacidade de superação operam na classe mais baixa, é impressionante a resiliência das famílias e, foi partir daí que percebi que a pirâmide social está invertida. Além de um sonho particular, representa um pingo no oceano de empatia, me dá aquele fio de esperança que podemos, mesmo fazendo tão pouco, melhorar o mundo.

A única coisa que disponho é meu tempo e hoje bem menos. Como falei acima, o corpo voluntário é todo dependente de si e, a esse corpo se deve o mérito. Gosto também de lembrar, que o que fazemos é obrigação e não motivo para vangloria. O Milagre Sertão tem conseguido ajudar diversas famílias não só com atendimentos emergenciais, mas com o despertar da consciência.

Redação
Paraiba Total



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