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Reginaldo Galvão

“Podemos dizer que estamos em pé de igualdade com as indústrias dos maiores centros nas questões de tecnologia e entre outras”

Presidente da Amap-PB fala sobre a importância da entidade para o setor e de que forma ela atua

Foto: divulgação
Criada com o intuito de promover o desenvolvimento e fortalecimento da indústria do mobiliário local, a Amap, Associação da Indústria de Móveis e Artefatos de Madeira da Paraíba, conta com 45 associados no estado, abrangendo a grande João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras, Guarabira e outras cidades. A entidade apoia e defende a indústria moveleira do estado e reúne várias empresas de móveis, feitos com materiais diversos materiais e abraçando diversos estilos, além de auxiliar na questão tributária e burocrática, da compra de matéria prima e venda de mercadorias.

Em entrevista exclusiva para o portal Paraíba Total, Reginaldo Galvão, presidente da Amap-PB falou sobre a criação da associação, os grandes desafios do setor, sobre os destaques da Paraíba em meio aos demais estados do nordeste, os planos da entidade para os próximos meses e o impacto causado pela pandemia do novo Coronavirus ao setor. Segundo ele, muitos móveis estão prontos, mas impossibilitados de entregar aos clientes, desde março, quando começou o isolamento social, além da dificuldade na entrega e montagem das mercadorias. Confira na íntegra:

No que consiste a Amap-PB? Como foi criada e conta com quantos membros?

A Amap é a Associação da Indústria de Móveis e Artefatos de Madeira da Paraíba, uma sociedade civil sem fins lucrativo, com abrangência estadual, cujo objetivo é promover o desenvolvimento e o fortalecimento da indústria do mobiliário local.

Hoje somos 45 associados na área metropolitana de João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras, Guarabira, entre outras cidades, de forma que temos ações em várias partes do Estado.

A entidade foi criada para apoiar e defender todo indústria moveleira da Paraíba, que hoje congrega variadas empresas de móveis, desde empresas que produzem móveis de madeira maciça, ao móvel feito com painéis de MDF, móveis com fibras vegetais, com fibras sintéticas e também os móveis de ferro e rústicos, para atender a todos os públicos. Podem  também participar da associação as empresas produtoras  de esquadrias em madeira e de todos tipos de artefatos  que tenham como base principal madeira.

Quais os maiores desafios do setor?

Como entidade, enfrentamos grandes desafios para apoiar e defender nossos associados. A principal delas é a questão da carga tributária, um problema que não atinge apenas o nosso setor, mas também boa parte das empresas brasileiras. Apesar da maioria dos nossos associados estar no regime do Simples, boa parte da matéria prima usada nos nossos produtos vem de outros estados, então somos afetados pela cobrança da diferença de alíquota do ICMS e pela substituição tributária, o que acaba anulando parte dos benefícios proporcionados pelo SIMPLES. Outra dificuldade é a falta de incentivo ao setor produtivo. Falando especificamente do nosso segmento, carecemos de uma política que de fato apoie as pequenas e médias empresas do nosso Estado.

Também buscamos junto aos poderes público, uma área apropriada para implantarmos um Núcleo composto por empresas produtoras de móveis e artefatos de Madeira, para transferir as empresas hoje localizadas em áreas não adequadas para um único lugar. Isso vai facilitar o intercâmbio de conhecimentos, a terceirização, a compra de matéria-prima de forma conjunta, entre outras vantagens. Para esse projeto do núcleo moveleiro, contamos com o apoio do Sebrae e da Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte da Paraíba - FEMICRO

Outro grande desafio nosso é capacitar a nossa mão de obra, o que, hoje fazemos dentro das próprias unidades produtoras ou em parceria com duas entidades filantrópicas. Além disso, fazemos um trabalho de sensibilização junto aos governos, principalmente o estadual e os municipais, para que também prestigiem as indústrias locais, abrindo canais de acesso as Compras Governamentais.

De que forma o setor foi atingido pela pandemia da Covid-19 e o como a associação está orientando os empresários do segmento?

A Covid-19 nos impôs muitos desafios. Temos enfrentado o fechamento de nossos pontos de venda, o que prejudica, principalmente, as empresas que produzem móveis sob medida. Estamos muito prejudicados tanto na comercialização, como na entrega e montagem dos nossos produtos, já que a recomendação do distanciamento social, muitas vezes impossibilita o acesso às residências, condomínios, prédios empresariais etc. Temos hoje um estoque de mercadoria comercializadas, que já deveriam ter sido entregues desde março, mas que continuam nas empresas.

Para minimizar os problemas de comercialização, a Amap está promovendo ações junto aos associados para promover abertura de novos canais de venda nas plataformas digitais. Nesse item contamos com o apoio do Sebrae, nosso parceiro de sempre.

Sobre a volta das atividades, trabalhamos na preparação de protocolos de funcionamento. As fábricas continuam funcionando e foram todas adaptadas aos novos padrões de higiene e proteção. Mas também necessitamos da reabertura das lojas (Showroom) o mais breve possível. Estes locais, geralmente, não têm aglomeração. As visitas dos clientes são feitas com hora marcada, de forma que não há muitas pessoas nos pontos de venda. De toda forma, criamos mecanismos de atendimento adequados às demandas do momento, de forma responsável e segura.

Como a Paraíba se destaca na produção em relação ao Nordeste e ao Brasil?

A Paraíba hoje em relação ao Nordeste e ao Brasil se destaca como um polo produtor de móveis, tanto para atender a demanda do consumidor residencial como do corporativo, que são os hotéis, empresas, Shopping, magazines, repartições públicas etc. Nós temos um número relevante de empresas produtoras de móveis de qualidade que se destacam no setor moveleiro do Nordeste. Podemos dizer que estamos em pé de igualdade com a indústrias dos maiores centros  produtores de móveis do Brasil, tanto nas questões de tecnologia, equipamentos, matéria-prima e componentes, como na gestão e qualidade.  Temos bons fornecedores locais, mas também nos abastecemos com produtos vindos direto dos principais fornecedores de materiais do Brasil.

Quais os planos para o segundo semestre de 2020 e para a gestão do senhor?

Entre os planos da diretoria da Amap para o segundo semestre deste ano está a realização da segunda edição do Conemov, Congresso Moveleiro do Nordeste. O evento foi realizado em parceiros com o Sebrae e a empresa Luz Criações. Esperamos poder realizar neste ano ou, no começo do próximo ano, a depender de como estarão as coisas.

Também nesse momento de paralisação, vamos dar continuidade ao nosso plano de criar o nosso distrito moveleiro. Estamos em busca de uma área com dimensões adequado para relocalização de empresas em local mais própria para produção industrial. Temos esse projeto todo pronto e desenvolvemos um trabalho permanente para implanta-lo.

A diretoria da AMAP está desenvolvendo um trabalho visando a expansão do seu Quadro de Associados, essa ação  tem por fim interiorizar a presença da Associação buscando apoiar  as  empresas ligadas a produção de móveis e artefatos de Madeira em todo o Estado,  buscando a modernização das empresas, tanto na área tecnológica como na área de gestão, por meio de novos maquinários e implantação de softwares que fazem a gestão da produção de móveis, a parte comercial e de apresentação de projetos, entre outras demandas.

Redação
Paraiba Total



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