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Fábio Henrique

"A APAGE busca alternativas e diálogos com o poder público, para a volta ao trabalho, tendo em vista que estamos a mais de sete meses sem eventos"

Presidente da Associação Paraibana dos Promotores e Profissionais de Grandes Eventos explica propósito da APAGE

Foto: divulgação
Com suas atividades interrompidas e a economia do setor reduzida a zero empresários, artistas, produtores e colaboradores de grandes eventos clamam por atenção aos poderes públicos. Há mais de 200 dias parado, as consequências da pandemia foram devastadoras para o ramo, segundo estimativa mais de 15 mil profissionais sem trabalhar, desde grandes produtores, e artistas, até colaboradores no geral, como motorista, garçom, porteiros e vendedores. Para os profissionais do ramo a justificativa de evitar aglomerações se torna inválida a partir de situações do cotidiano, como ônibus lotado, volta dos comércios, praias cheias, e acontecimento de comícios eleitorais. 

Pensando em lutar pelos direitos da categoria, acelerar o retorno e unir as empresas e prestadores de serviços, foi criada a Associação Paraibana dos Promotores e Profissionais de Grandes Eventos, APAGE. Em entrevista, Fábio Henrique explicou o que motivou a criação da associação, de que forma ela pretende atuar, os impactos da pandemia para o setor e quem pode fazer parte dela. Confira:

Como surgiu a APAGE? 

A Associação Paraibana dos Promotores e Profissionais de Grandes Evento (APAGE) surgiu da necessidade de possuir uma representação para o nosso setor no processo de retorno as atividades, que foram interrompidas devido a pandemia. Identificamos que já havia comunicação entre alguns segmentos da área de eventos, um deles é o setor de eventos sociais, que por abranger um público menor já tinha iniciado uma negociação com a Secretaria de Saúde. Percebemos que os grandes eventos, desde eventos de multidão, ou teatros, arenas, clubes estavam escassos de atenção e auxílio para o retorno, e para maior representatividade, no geral.  A APAGE deseja buscar alternativas e diálogos com o poder público, para a volta ao trabalho, principalmente, tendo em vista que estamos a mais de sete meses sem eventos.

De que forma ela pretende atuar? Quais seus objetivos?

Estamos trabalhando muito, desde o primeiro dia, com uma liderança eleita e um grupo de Whatsapp ativo, onde nos comunicamos com sugestões, críticas, demandas e medidas que podemos conquistar. Nosso objetivo é representar a classe e passado esse período de pandemia implementar uma série de ações sociais, temos no nosso quadro os maiores eventos da paraíba, as maiores empresas. Temos o desejo de auxiliar jovens com primeiro emprego, circuitos de palestras e fóruns, visando profissionalizar ainda mais o setor. Queremos, por meio da nossa grandeza, de produzir grandes eventos, empregar muitas pessoas, o Bloco Vumbora, por exemplo, emprega quase duas mil pessoas de forma direta, o Fest Verão e o Campus Festival também. 

Durante a pandemia, com o isolamento social, um dos principais setores afetados foi o de eventos, como avalia o impacto? 

O impacto da pandemia no setor de grandes eventos foi algo devastador, nós que trabalhamos essencialmente com aglomeração nos vimos do dia para a noite, tendo todo nosso planejamento interrompido. Eventos de grande porte, como estamos acostumados a fazer, não acontecem do dia para a noite. Na empresa da qual eu sou sócio, Colônia Produções, realizamos eventos com quase um ano de planejamento, a exemplo do Jampa Rock Festival, que estava marcado para Abril, e aconteceria a menos de um mês da data em que foi declarado estado de pandemia na cidade, um evento que estava bem posicionado na mídia, em vendas, e com excelente aceitação do público, além de uma lista de atrações com grandes nomes do rock nacional. O festival que aconteceria em sua primeira edição, teria um modelo inédito na Paraíba.

Quem pode fazer parte da associação, apenas empresas ou servidores também?

A Associação Paraibana dos Promotores e Profissionais de Grandes Eventos está aberta para toda a cadeia produtiva, temos hoje em nosso quadro empresas promotoras, artistas, profissionais liberais, técnicos, empresas fornecedoras de som e de luz, geradores, transporte, comunicação, uma gama de serviços que fazem parte do setor. Estamos abertos a todos que se encaixam nesse perfil, especialmente aos promotores de grandes eventos e estamos muito felizes e surpresos com a adesão e receptividade da classe. Nunca antes havia acontecido toda essa união do segmento, e é um número que só cresce, já conseguimos dobrar a quantidade inicial de membros em pouco mais de um mês. 

Como está sendo a intreface com os poderes públicos?

A pandemia foi severa, fomos levados a uma situação muito difícil, empresas que já tinham muitos ingressos vendidos se viram em situações complicadas, muitos pagamentos já tinham sido adiantados à artistas e fornecedores. Está todo mundo na mesma situação, todos são vítimas. Ainda que para tentar proteger o setor o Governo Federal tenha lançado a medida provisória 948, em abril, um paliativo importante, garantindo a possibilidade de não conceder o reembolso desde que os eventos fossem remarcados. Mas as sequelas são muitas. Estima-se que na Paraíba há mais de 15 mil profissionais sem trabalhar, pessoas que dependem de um cachê como porteiro, garçom... O propósito da APAGE é dar voz, também, para essas pessoas, na hora que conseguimos voltar a trabalhar, por força da nossa luta, negociação, diálogo e mobilização, daremos voz aos pequenos. Queria acrescentar que é muito importante, enquanto associação, tentar construir uma representação firme do segmento, um diálogo com o poder público, especialmente nesse ano em que temos eleição municipal. Estamos negociando com a Prefeitura de João Pessoa, além de contatar todos os candidatos à prefeito com algumas reivindicações que podem ser importantes para a retomada, para que o próximo gestor já ingresse como parceiro nosso.


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