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Paraíba terá Radiotelescópio no Sertão em 2019

O radiotelescópio brasileiro será construído na serra do Urubu, na região de Piancó

Foto: Internet
A partir do fim de 2019, o Brasil terá um radiotelescópio erguido no meio do sertão da Paraíba. A estrutura com dois espelhos e diâmetro de cerca de 40 metros é parte de um projeto internacional.

O radiotelescópio brasileiro será construído na serra do Urubu, na região de Piancó (PB), cidade de 16 mil habitantes localizada a 337 km de João Pessoa. A obra no sertão está prevista para acabar em agosto de 2019. No grupo que lidera a construção há cientistas do Inpe, da USP, e da UFCG (Universidade Federal de Campina Grande), além de pesquisadores do Reino Unido, da Suíça, do Uruguai e da China. O Bingo (sigla para Observações de Gás Neutro das Oscilações Acústicas Bariônicas, em inglês) tem como foco o estudo da energia escura, que constitui 68% do Universo e sobre a qual muito se sabe.

A energia escura tem por característica “anular” a gravidade e não é possível detectá-la diretamente - ela não se manifesta na forma de partícula ou luz, pelo menos não da forma que a ciência conhece. Dada essa dificuldade, os cientistas precisam encontrar outras formas de captar a energia escura, como a medição de oscilações acústicas bariônicas.

Essas oscilações podem ser utilizadas como uma “régua fundamental do Universo”, explica Élcio Abdalla, do Instituto de Física da USP e coordenador do projeto. O radiotelescópio será capaz de detectar ondas de rádio, produzidas por uma emissão de hidrogênio neutro, na frequência de 1420 MHz. Essas ondas permitirão mapear as oscilações de bárions, que carregam informações sobre a interação entre fótons e bárions, congeladas depois do desacoplamento da matéria com a radiação.

Os pesquisadores pretendem medir a frequência específica da radiação eletromagnética do hidrogênio quando o Universo era “jovem”, há bilhões de anos. Essas informações devem ajudar a entender a energia escura do Universo de uma forma diferente do que é feito por outros telescópios, que utilizam outras técnicas, afirma Carlos Alexandre Wuensche, pesquisador titular da Divisão de Astrofísica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e também coordenador do projeto. De acordo com o projeto, o Bingo terá dois espelhos, de cerca de 40 metros de diâmetro. Eles serão sustentados por uma estrutura de metal de 80 toneladas.



Correio da PB