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Fest Aruanda promove debates sobre política cultural e filmes exibidos no final de semana

O encontro aconteceu na Usina Cultural Energisa, na manhã desta segunda

Foto: divulgacao
O 14º Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro seguiu, na manhã desta segunda-feira (2), os debates em torno dos curtas e longas-metragens apresentados durante o final de semana, no Cinépolis Manaíra Shopping. Desta vez, os debates aconteceram na sala Vladimir Carvalho (Usina Cultura Energisa), com a participação de atores e diretores dessas produções e a moderação de Amilton Pinheiro e Maria do Rosário Caetano. Com chancela da UFPB e patrocínio do Grupo Energisa, Cagepa e Armazém Paraíba, via Lei Federal de Incentivos do Ministério da Cidadania, o Fest Aruanda vai até o dia 4 de dezembro, com entrada franca em todos os dias.

Entre o público dos debates, formado por cinéfilos, cineastas e demais profissionais do audiovisual, as perguntas giraram em torno da produção, da criação dos personagens e dos temas abordados em cada obra. Foram discutidos nove curtas e cinco longas-metragens. “Só não debatemos mais por falta de tempo”, disse o curador e diretor artístico dos Diálogos Audiovisuais Aruanda/Usina Cultural I, Amilton Pinheiro.

Às 12h, teve início o Painel Aruanda/Usina Cultural Energisa, com o tema “O Cinema Brasileiro, do Cinema Novo a Bacurau”. A mesa contou com Vladimir Carvalho (cineasta), Fernando Morais (escritor), Emília Silveira (documentarista), Cesar Piva (produtor/Polo Audiovisual da Zona da Mata/MG) e Fernando Trevas (UFPB), sob a moderação de Maria do Rosário Caetano. A política nacional e a produção cinematográfica atual deram o mote das discussões.

Consórcio – Fernando Morais sugeriu a criação de um fundo de incentivo ao cinema nordestino pelo Consórcio do Nordeste. “Tem condições de fazer isso, é algo possível. E eu falarei sobre o assunto com o governador João Azevedo, com quem vou me encontrar logo mais”, defendeu. César Piva aderiu à sugestão de Fernando e acrescentou: “Nossos filmes têm que ser vistos pela população, para ela nos defender. Enfrentamos um momento muito grave. A nossa luta deve ser levar o cinema às telas, e precisamos de condições materiais para que isso aconteça”, disse. No mesmo tom, a documentarista Emília Silveira afirmou: “O futuro do cinema brasileiro está no Nordeste.”

Para o professor Fernando Trevas, os filmes brasileiros dão a mostra de como será a sobrevivência deste país nos próximos anos. “Veja o sucesso de Bacurau, por exemplo. Não houve um filme brasileiro que levantasse tanta polêmica, nos últimos anos. Isso é bem sintomático. Se há luz no fim do túnel, ela passa pelo cinema nordestino”, afirmou.

Cinema e política sempre estiveram presentes na obra de Vladimir Carvalho, outro participante da mesa – e esse diálogo está refletido no filme “Giocondo Dias, ilustre clandestino”, que será exibido em sessão especial do Fest Aruanda. “É um filme homenagem a um dos maiores brasileiros que já passou pelo cenário político brasileiro”, disse o paraibano sobre o dirigente político que substituiu Luiz Carlos Prestes na secretaria-geral do PCB, um dos comandantes do governo revolucionário de quatro dias, no Rio Grande do Norte, em 1935. 

“Os nossos governos desconhecem o poder do cinema, de revelar a realidade, de mostrar o que não está nos livros de escola. Temos uma quantidade impressionante de personagens e episódios que o Brasil tem e que pode ser transformada em livros, filmes, minisséries. A história de Princesa, por exemplo, é atemporal e universal. Sou louco para escrever sobre isso!”, finalizou Fernando.

Serviço

14° Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro 

Debates e painéis sobre os filmes exibidos e temas do meio audiovisual

A partir de amanhã (3), no Hotel Aram Beach & Convention – João Pessoa

A partir das 9h




Assessoria