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COVID-19

Entidades pedem medidas urgentes do Governo Federal para evitar falências

Aumento de casos do Coronavírus no Brasil provoca cancelamentos e adiamentos de viagens e eventos

Foto: Fernando Frazão
O aumento de casos suspeitos e confirmados de contágio pelo Covid-19, o Coronavírus, tem provocado uma onda de cancelamentos e adiamentos tanto de eventos – a WTM Latin America, em São Paulo, o anúncio mais recente –como de viagens de lazer e trabalho no Brasil. A situação tem deixado os empresários do setor alarmados pois, apesar do reconhecimento da gravidade da situação, o impacto financeiro é imediato.

Preocupados com esta situação, as principais entidades ligadas ao setor enviaram carta conjunta ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, onde apontam para uma taxa de cancelamento de viagens de 85% somente na primeira quinzena de março.

“É a maior crise vivenciada pelo setor na era atual e prevemos um altíssimo índice de falências entre as empresas relacionadas ao turismo, resultando em milhares de pessoas desempregadas e impactos diretos e indiretos no PIB brasileiro”, diz o texto, assinado pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional), Associação Brasileira da Indústria de Hoteis (ABIH), Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), Associação Brasileira dos Consolidadores de Passagens Aéreas e Serviços de Viagens (AIRTKT), Associação das Agências de Viagens Independentes do Estado de São Paulo (Aviesp), Associação das Agências de Viagem de Ribeirão Preto e Região (AVIRRP), Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa), Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil),  Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHA).

Visando a redução deste impacto, as entidades solicitam medidas urgentes para reversão deste cenário, como abertura de linha de crédito especial na Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil para as empresas de turismo, com carência para início do pagamento de no mínimo 6 meses; aprovação de decreto para postergar o pagamento de impostos relativos à folha de pagamento, também por 6 meses, a serem quitados no exercício de 2020; liberação do saque do FGTS para funcionários de empresas que exerçam atividade turística; parecer favorável do Ministério da Justiça em relação à remarcação de viagens contratadas pelo consumidor, frente ao cancelamento e devolução de valores.

“Acreditamos como a maioria que a pandemia do Covid-19 será superada em alguns meses. Nesse momento será fundamental para a recuperação do setor, que tenhamos pronta uma campanha envolvendo ofertas promocionais de viagens pelo Brasil”, solicita ainda o ofício.

O setor do turismo faturou em 2019, R$ 238,6 bilhões, considerando as atividades de hospedagem e similares, bares e restaurantes, transporte de passageiros, agências de viagens e cultura e lazer. O número de pessoas formalmente empregadas nas atividades turísticas totalizou 2.983.080 trabalhadores.

Repercussão

“Esta é, sem dúvida, a pior e mais grave crise que o setor jamais enfrentou”, comenta o presidente da Abav Tocantins, Marcelo Perim, lembrando que todas as seccionais do Brasil estão focadas na busca de alternativas para os cancelamentos, já que a grande maioria das empresas não dispõe de reservas para garantir a devolução de valores, sendo a remarcação uma alternativa.

Perim reitera que o Covid-19 agrava uma situação de crise que o setor já vinha enfrentando desde 2019, com a falência da Avianca Airlines, o derramamento de óleo no litoral brasileiro e a alta do dólar. “As empresas do trade precisam de apoio e ações emergenciais por parte do Governo, sob pena de quebra geral no mercado”, afirma.

Além dos casos em que os próprios usuários têm buscado cancelamento ou remarcação de viagens, há situações em que os empresários se veem obrigados a antecipar a medida. Este é o caso do operador de turismo Marcos Luz, que optou por cancelar uma saída para vivência em uma comunidade indígena do Tocantins, no mês de abril.

“Temos que agir como cidadãos conscientes, a responsabilidade no controle desta doença é de todos nós, e devemos redobrá-la enquanto profissionais de turismo, principalmente quando trabalhamos com comunidades indígenas e quilombolas”, justifica, completando ser a favor do cancelamento de eventos com grande fluxo de pessoas, como seria o caso da WTM em São Paulo, para que o sistema de saúde esteja melhor preparado para o atendimento a população.

Dados

Segundo o Ministério da Saúde, divulgados pela Agência Brasil, até a tarde desta segunda, 16, estavam confirmados 234 casos do novo coronavírus. São Paulo, maior polo emissor de turistas a região central do País, é responsável por mais da metade (152), seguido por Rio de Janeiro (31), Distrito Federal (13), Santa Catarina (7), Rio Grande do Sul e Paraná (6) e Minas Gerais (5). Já foram descartados 1.624 casos. Ainda não foram notificadas mortes em razão da doença.




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