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Preservação ambiental

Moda esportiva foca em sustentabilidade para um futuro menos prejudicial ao meio ambiente

Adidas, Asics e Puma lançam coleções que substituem plástico por poliéster

Foto: internet
A indústria da moda é uma grande responsável por corromper o meio ambiente. De acordo com uma reportagem do Valor Econômico, o segmento responde por 8 a 10% das emissões globais de gases-estufa, mais que a aviação e o transporte marítimo juntos. De acordo com o relatório “A new textiles economy: Redesigning fashion’s future”, lançado pela Ellen MacArthur Foundation em 2017, o equivalente a 500 bilhões de dólares são descartados com roupas que foram pouco usadas e raramente recicladas por ano e a cada segundo o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros sanitários. Para tentar diminuir esse impacto, algumas marcas investem em coleções sustentáveis.

Em maio, a Adidas apresentou a sua linha de alta performance Primeblue, produzida com material Parley Ocean Plastic, feito a partir de resíduos plásticos interceptados de ilhas remotas, praias e comunidades costeiras. Segundo a marca, a coleção traz pelo menos 40% de materiais reciclados. A série de produtos é parte de uma iniciativa maior da empresa, implementada em 2012, de produzir produtos e processos com parceiros focados na sustentabilidade. O primeiro item a ser revelado desse projeto foi um tênis modelo apresentado em 2015. Ainda este maio, a empresa também anunciou o fim do uso de plástico virgem nas embalagens dos produtos vendidos em suas plataformas digitais.

“Acreditamos que a diminuição dos impactos ambientais causados pela indústria da moda é uma responsabilidade de todas as marcas, e que as ações precisam de espaço para serem apresentadas e discutidas dentro das empresas. Resíduo plástico, por exemplo, é um grande problema e se tornou uma questão inflexível. Para cada pessoa do planeta, existe uma tonelada plástico e, aproximadamente, 80% se torna lixo – causando estragos nos oceanos ao redor do mundo. Entendemos que nossas ações precisam da mesma proporção de representatividade de marca, com o desenvolvimento de uma estratégia baseada em três pilares: ciclo de reciclagem, economia circular e biônica. A solução é investir muito em tecnologia e colaborações”, diz Daniela Valsani, diretora de marketing da Adidas Brasil.

As propostas da Adidas para contribuir com o meio ambiente são: contribuir com a produção a partir de materiais recicláveis; criar produtos para serem reutilizados ou que seu ciclo de vida seja maior; e desenvolver produtos com que possam voltar à natureza. Para os próximos anos, a empresa anunciou que trabalhará com os principais parceiros esportivos nos EUA para fazer a transição para uniformes mais sustentáveis; usará apenas poliéster reciclado em todos os produtos da marca a partir de 2024; reduzirá a emissão de carbono em 30% próximo a 2030, em comparação com 2017; e deve alcançar a neutralidade em impacto no clima em 2050.

“A emergência climática que estamos vivendo demanda que a indústria da moda enfrente esse desafio com medidas eficazes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Esses esforços para limitar o aumento de temperatura exigem ações em todos os níveis do negócio, desde a seleção de materiais e design de produtos, até o uso de energias renováveis e a adoção de uma abordagem circular do negócio como um todo. O grande desafio é que essa bandeira se torne um projeto que vá além da Asics, envolvendo nossos fornecedores, parceiros pois ganhamos força quando mais players dentro da cadeia assumem essa responsabilidade conosco”, explica Constanza Novillo, head de marketing da Asics Latam.

Em 6 de julho, a Asics lança o Edo Era Tribute Pack, coleção com produtos de poliéster reciclado feito de garrafas PET (300 mil) para performance e casual. Até 2030, a empresa quer concretizar o uso de fibras de poliéster recicladas em todas as partes superiores de seus calçados. A marca já usa tintas à base de água, o que reduziu pela metade o uso de tinta, e tem outros planos futuros além do uso de fibra reciclada. De acordo com a executiva, em 2021, a Asics planeja ter 95% dos novos tênis de performance feito de materiais recicláveis, assim como suas caixas; e, em 2050, quer ter reduzido a emissão de CO2 à zero.

O trabalho da Asics vem antes do próximo lançamento. Desde 2004 a empresa caminha para uma produção mais sustentável. Uma grande vitrine para esse trabalho será os Jogos Olímpicos de Tóquio deste ano, adiados para 23 de julho a 8 de agosto de 2021. Parceiro do evento global, a empresa está produzindo o uniforme casual das delegações do Japão, dos voluntários, produtos oficiais licenciados, tudo de forma que mira a sustentabilidade. Uma das iniciativas, que ficou batizada de Reborn Wear Project, coletou roupas esportivas usadas dos japoneses para reciclá-las nas roupas oficiais da equipe olímpica e paralímpica do Japão 2020 em Tóquio.

Em 2015, a Puma lançou o 10FOR25, iniciativa interna que visa melhorar 10 áreas em que seu negócio tem impacto, incluindo o meio ambiente. Globalmente, a empresa é parte do Better Cotton Initiative (BCI), projeto que implementa o uso de algodão orgânico e produzido de forma ecologicamente correta, sem uso excessivo de água na produção de matérias primas. Mais recentemente, a marca co-criamos uma coleção de roupas esportivas feita de plástico reciclado com a First Mile, empresa que ajuda micro-economias com reciclagem, com objetivo de impulsionar a mudança para um mundo mais sustentável, reduzir o desperdício e promover um impacto positivo nas comunidades locais. Além disso, a Puma se uniu ao curso de moda da Escola de Design de Londres Saint Martins para explorar tecnologias mais sustentáveis na fabricação de tecidos.

“Roupas e sapatos são essenciais, não apenas para suprir necessidades básicas como proteção e conforto, mas também são uma expressão da identidade das pessoas, por isso, é claro que a indústria da moda é um setor significativo da economia global. A magnitude do desafio exige que a indústria se reúna e crie mudanças sistêmicas. Este é um desafio de todos e realmente precisa da união das marcas e grandes produtores. Por exemplo, nos últimos cinco anos, houve um número crescente de projetos focados na eficiência de recursos e acesso à energia renovável na cadeia de suprimentos. Os desafios ambientais e sociais existentes na indústria da moda representam uma grande oportunidade para apoiar a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas – se a indústria continuar a unir forças e concretizar essas oportunidades”, contribui Fabio Kadow, diretor de marketing da Puma Brasil.




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