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Até 2028, 20% das transações eletrônicas do país serão com Pix, projeta consultoria

Meio de pagamento entrou em funcionamento para todos os cidadãos do país nesta segunda-feira (16)

Foto: divulgação
O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), entrou em funcionamento para todos os cidadãos do país nesta segunda-feira (16). Durante a cerimônia de lançamento do novo meio de pagamento, Roberto Campos Neto, presidente do BC, ressaltou que o projeto foi fruto de um trabalho coletivo e que vai resultar em inclusão financeira e mais competição no sistema nacional financeiro brasileiro.

“O Pix é fruto de vários meses de trabalho […] e vai mudar muitas coisas. Entre elas, vai trazer mais inclusão financeira, possibilitando que novas pessoas se tornem digitalizadas e também o surgimento de milhares de novos negócios. Além disso, competição que o ambiente vai gerar trará oferta de novos produtos, vai diminuir a barreira de entrada para fintechs e vai baratear custos. Como resultado teremos mais segmentação nos negócios e melhores ofertas para os clientes”, afirmou Campos Neto durante a cerimônia.

A expectativa do BC é que a adesão do Pix aumente de forma gradual com o passar dos anos.

Uma projeção da consultoria Oliver Wyman mostra que, em 2021, o Pix deve representar 8% do total de transações eletrônicas feitas no país. Já em 2025, a proporção deve subir para 15% e para 2028 para 20%.

“A projeção é muito significativa, ao passar de 20%, serão mais de 1 bilhão de transações por mês. É uma tendência [a consolidação do Pix no Brasil], não só pelas características do sistema, mas também pela mudança de comportamento do consumidor, que passou a aderir ao formato digital para consumir devido à pandemia”, afirmou Ana Carla Abrão, head do escritório da Oliver Wyman no Brasil, que apresentou a pesquisa durante a cerimônia do BC.

Campos Neto ressaltou que o ecossistema que o Pix vai promover com inclusão financeira, eficiência e segurança vai transformar o dia a dia das pessoas.

“A eficiência vai diminuir o custo de operações e viabilizar novos negócios porque o fluxo financeiro das transações vai ser mais barato. Mais do que isso precisamos pensar no sistema financeiro do futuro: a tecnologia está crescendo em velocidade exponencial e precisamos planejar hoje para ter bons produtos lá na frente. E com o Pix estamos verticalizando a operação e criando uma cadeia integrada. E o objetivo é melhorar cada vez mais a experiência do usuário”, afirmou.

De acordo com Ana Carla, há alguns pontos que vão definir o sucesso do Pix se forem concretizados.

“O sistema precisa ser adotado de forma ampla, embora trabalhe de forma paralela à outras soluções, a adesão ao Pix é sinal de que o sistema deve ser tornar bem-sucedido”, disse.

Até agora, já são 72,5 milhões de chaves cadastradas no Pix. Entre 5 e 8 de outubro, período que marcou os três primeiros dias de cadastro, cerca de 21 milhões de chaves estavam registradas no Pix.

Vale lembrar que cada pessoa física pode registrar até cinco chaves por conta, enquanto as pessoas jurídicas têm um limite de 20 chaves, também por conta.

Não é possível repetir a mesma chave para contas diferentes, porque como o CPF, CNPJ, celular ou e-mail vão funcionar como o endereço de entrega dos valores, o sistema não identificaria para qual conta transferir o valor.

Importante dizer que os cadastros não significam diretamente que as pessoas vão, de fato, utilizar o meio de pagamento, mas é um sinal de que as pessoas estão se interessando no sistema.

Além disso, Ana Carla destacou que a experiência do consumidor e a infraestrutura de tecnologia também são pontos que vão impulsionar o sucesso do Pix.

“De maneira geral, a busca é pela boa experiência do consumidor: o sistema precisa ser fácil e agradável de se utilizar, com uma tecnologia robusta e segura, porém que seja flexível possibilitando novas funcionalidade e, portanto, casos de uso”, avalia.

“O Pix é uma plataforma generativa, ou seja, que atende múltiplas funcionalidades. Ele começa promovendo uma função específica, sendo um meio de pagamento, mas sua infraestrutura poderá ser utilizada para outras atividades”, disse.

Segundo ele, para além de pagamentos, o Pix poderia ser um modelo de identidade digital, como acontece em países como Canadá e Estônia: seria uma ferramenta que consolidaria a relação cidadão e governo.

“Seria possível acessar todo o tipo de serviço, como fazer matrícula no colégio público, procurar e reservar vagas em hospitais públicos, assinar documentos digitalmente, renovar a CNH, entre outros serviços, tudo via Pix. O sistema tem condições de ser desenvolvido nesse sentido e poderemos usá-lo para inovações futuras”, disse.




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