App promete pagar R$ 20 por cadastro: Será que funciona?

Em meio à pandemia de
Covid-19, aplicativos de micro tarefas e renda extra se tornaram uma verdadeira
febre no Brasil. A onda começou com o Kwai, e a cada semana, novas alternativas
chegam ao mercado.

Embora alguns aplicativos
realmente ajudem os brasileiros a complementar a renda em um momento
socioeconômico complicado, diversas plataformas apenas “maqueiam” um modelo de
negócios bastante conhecido e ilegal: o esquema de pirâmide.

Recentemente, uma nova
plataforma passou a ser divulgada em vídeos do YouTube e redes sociais.
Trata-se da MerkleShop App, que promete pagamentos de R$ 20 por
cadastro de novos usuários. Mas afinal de contas, ela funciona? Ou não passa de
um golpe?

O que é e como funciona?

Segundo o site Afiliador
Orgânico, o Merkle Shop é a nova versão do aplicativo Mercado Shop, ou Merkle
Win, que foi desativado recentemente após inúmeras reclamações de usuários.

Assim como a versão
anterior, o Merkle Shop funciona basicamente como um esquema de pirâmide. Novos
usuários recebem dinheiro no momento da inscrição e ao convidar outros
usuários.

Ou seja, o aplicativo se
mantém com a inclusão de novos usuários, que por sua vez convidam outras
pessoas e continuam assim o ciclo vicioso.

A conclusão é que o
aplicativo é basicamente um esquema de pirâmide digital. Ele nem mesmo finge
pagar por micro tarefas, por exemplo, como outras plataformas da área,
permitindo o recebimento de dinheiro apenas pela inclusão de novos usuários.

O aplicativo funciona de
maneira semelhante aos “grupos de dinheiro” no WhatsApp e Telegram, que
prometem pagar valores diferenciados para participantes que convidam novos
usuários.

Devido à divulgação cada vez
maior desse tipo de estratégia para complementação de renda, o Banco Central
chegou a emitir uma nota alertando sobre esse tipo de golpe.

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A opinião dos
usuários – Plataforma não é confiável

Além de funcionar
basicamente como um esquema de pirâmide digital, o Merkle Shop tem tudo para
enganar os usuários brasileiros, assim como fez sua versão original, o Mercado
Shop.

Como o aplicativo original
foi desativado de uma hora para a outra, sem prestar nenhum tipo de satisfação
aos usuários, diversos brasileiros perderam todo o dinheiro que investiram,
além de não conseguir os pagamentos prometidos.

Uma das melhores maneiras de
se descobrir a verdadeira reputação de um aplicativo ou plataforma de renda
extra é analisar comentários de usuários brasileiros em vídeos do YouTube e
redes sociais. Veja abaixo alguns exemplos.

“É golpe! O app não está
mais pagando.” – Josué Lafeta.

“Não dá para retirar valores
menores que R$ 150.” – Kamyla Reinaldo.

“Isso é só um esquema de
pirâmide, não confiem.” – Renato Rodrigues.

“Estou acessando a
plataforma há mais ou menos 2 meses, cheguei a R$ 55,54 e não consegui mais
acessar” – Araci Maria.

“Temos que tomar mais
cuidado para não cair em mais golpes no futuro.” – Herod Gyn.

Esquema de
Pirâmide dá cadeia?

Diversos brasileiros se
perguntam quais são as repercussões legais para quem promove ou participa de um
esquema de pirâmide.

Os esquemas de pirâmide são
completamente fundados em promessas irreais. No final das contas, apenas um
pequeno grupo de participantes recebe rendimentos reais. A imensa maioria gasta
dinheiro e não ganha nada em troca.

De acordo com o economista
Edgard Leonardo Meira Lima, mestre do curso de Administração do Centro
Universitário Tiradentes, a pirâmide se caracteriza como um modelo comercial
que não se sustenta.

“O foco para sustentar o
negócio não é a venda de um produto ou serviço, e sim a adesão de novas pessoas
no esquema, pessoas que ao entrar precisam realizar algum aporte financeiro”,
afirmou Lima em uma entrevista ao site da universidade.

Os esquemas de pirâmide são
considerados “crimes contra a economia popular”, e podem gerar penas de até
dois anos de prisão para quem os promove, segundo a Lei 1.521/1951.

Projetos que correm
atualmente na Câmara dos Deputados pretendem aumentar essa pena para oito anos,
já que golpes do tipo aumentaram exponencialmente durante o período da
pandemia.