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Ibovespa mantém estabilidade em meio a cautela com greve dos caminhoneiros

Invest Exame | Foto: Germano Lüders/Exame

Mercado digere dados de inflação, que voltaram a superar estimativas; IPCA de 12 meses já beira os 10%

O Ibovespa oscila próximo da estabilidade nesta quinta-feira, 9, após passar a maior parte da manhã no terreno positivo, se recuperando do tombo de quase 4% da última sessão. Às 13h30, o principal índice da B3 caía 0,08% para 113.306 pontos. Já o dólar, que vem de sua maior valorização em mais de um ano, recua 0,92%, a 5,277 reais.

Apesar da leve melhora do ambiente interno, investidores seguem atentos aos desdobramentos das manifestações de 7 de setembro e à greve dos caminhoneiros, que segue firme, apesar dos pedidos do presidente Jair Bolsonaro para que haja paralização nas estradas do país.

Além das turbulências políticas, no radar do mercado estão dados de inflação, que voltaram a superar as estimativas. Divulgado nesta manhã, o IPCA referente a agosto bateu 9,68% no acumulado de 12 meses, com com a alta mensal ficando em 0,87%. A expectativa era de uma inflação de 0,71% no mês.

“Com os reajustes de energia e a crise hídrica aguda, isso somado aos efeitos de uma paralisação parcial dos caminhoneiros, faz que o mercado fique ainda mais resistente.”, afirma em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

O IPCA mais forte do que o esperado tem elevado as expectativas de alta de juros por parte do Banco Central. Com decisão monetária prevista para daqui a duas semanas, parte do mercado já fala em uma alta da taxa Selic em 1,25 ponto percentual para 6,5%.

Na bolsa, os juros futuros de curto prazo, mais sensível à inflação, disparam 4%, precificando uma Selic a 7,25% no fim do ano. No mercado, porém, já se fala em Selic a dois dígitos.

No cenário externo, as bolsas reagem positivamente ao anúncio do Banco Central Europeu sobre uma apenas leve redução dos estímulos via compra de ativos. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em queda de 0,04%.

Nos Estados Unidos, saíram os pedidos semanais de seguro desemprego, que renovaram a mínima desde o início da pandemia para 310.000. O número ficou melhor do que o consenso de 335.000 pedidos. Por lá, o S&P 500 e o Dow Jones oscilam próximos da estabilidade, enquanto o Nasdaq opera em leve alta

Destaques da bolsa

Com a greve dos caminhoneiros no radar, as ações da Petrobras (PETR3/PETR4) puxam o movimento de queda do Ibovespa, caindo 1,5%. Na última sessão, os papéis da companhia despencaram mais de 5%. No mercado, há grande incerteza sobre a possibilidade de o governo intervir na companhia com o objetivo de controlar o preço dos combustíveis e ganhar apoio popular. O movimento ocorre na contramão da forte valorização da PetroRio (PRIO3), que lidera as altas do índice, subindo 5,2%.

Entre as maiores valorizações, inclusive, estão outras empresas de commodities, com receitas favorecidas pela alta do dólar. No setor de frigoríficos, a Minerva (BEEF3) é destaque, subindo 3%, enquanto a JBS (JBSS3) avança 1%. As siderúrgicas Usiminas (USIM5), Gerdau (GOAU4) e CSN (CSNA3) sobem mais de 1%.

Investidores também retomam posições em papéis que estiveram apresentaram as maiores quedas da última sessão. A Eletrobras (ELET3/ELET6), que vem de queda superior a 9%, tem respectivas altas de 3% e 2,3%. Já as ações da Méliuz (CASH3), que despencaram 11% na véspera, sobem 3,7%.

Na ponta inversa, as ações da Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) lideram as perdas caindo 4,3%, com investidores realizando lucros. Os papéis de ambas as empresas foram os únicos do Ibovespa a registrarem forte valorização no último pregão, chegando a subir mais de 7%, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendar que o processo de fusão entre as duas companhias seja aprovado.

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