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Empresa familiar e os parentes que só dão uma ajudinha

Foto: Internet
O assunto que tratarei aqui é bem sensível, mas extremamente importante para a prosperidade de um negócio: familiares na gestão e/ou operação da empresa. “Tire as crianças da sala” pois a conversar aqui vai ser de gente grande.

A seguir, um caso real na minha atuação como Consultor empresarial em 2015:

Em uma das empresas visitadas para avaliação do processo de implementação de melhorias de gestão me deparei com o seguinte cenário: a empresa era composta por quatro dirigentes, sendo pai, esposa, filho e esposa. A empresa já estava no mercado há bastante tempo e tinha uma razoável estrutura física e penetração em sua área de atuação.

Ao iniciar a entrevista com os quatro percebi um desalinhamento entre eles. Até aí super normal haver pensamentos e argumentos destoantes, inclusive é bom quando há contra pontos na gestão de uma empresa. Ficou explicitamente claro que haviam também quatro objetivos pessoais distintos e divergentes.

Resolvi interromper o trabalho temporariamente e conversar com eles de outra forma.

Quando perguntado ao pai qual seu objetivo de vida, ele respondeu que seria deixar a empresa para ajudar um outro filho na empresa dele. A mãe respondeu que estava apenas dando uma ‘ajudinha’ e não pretendia ficar na empresa por muito tempo. Ela executava algumas atividades na produção e cuidava da segurança, meio como uma fiscal. Já o filho, dedicara muito esforço para ‘tocar’ o negócio, vislumbrando um futuro promissor, estudando e trazendo novas ferramentas de gestão. A esposa do filho, também não estava disposta a ficar muito tempo, já que estudava para passar em concurso público e só ia pela manhã dar também uma “ajudinha” no financeiro.

E agora, quem faz o que na empresa? Quem é responsável pelos processos de gestão e quais os resultados que precisam alcançar em suas áreas. Essas perguntas ficaram bem difíceis de serem respondidas por eles.

Os fiz refletir que independentemente de serem familiares lhes faltavam essas definições e isso poderia prejudicar qualquer alinhamento e projeção de execução de um plano de ação bem estruturado para manutenção ou crescimento do negócio. E isso acontece em várias empresa, não?

Como de costume, darei algumas dicas para a gestão de empresas familiares:

1.  Defina bem os papéis e reponsabilidades de cada um – Faça isso atribuindo um cargo com funções bem definidas de modo a não haver conflitos de competência em atividades como compras, vendas, comunicação, gestão de mídias sociais e relações com colaboradores, por exemplo.

2.  Defina a remuneração – É de suma importância que todos saibam quanto vão ganhar, seja por pró labore, se for sociedade, seja por ocupar uma outra posição. Deixo claro que numa sociedade também deve haver partilha de lucros proporcionais às cotas no contrato social.

3.  Contrate, se possível – Nem sempre o familiar, por mais confiável e trabalhador que seja está apto para exercer um cargo de gestão em qualquer área. Por exemplo, nem sempre um Administrador pode ou saberá cuidar das finanças. Se tiver recursos, busque no mercado alguém competente tecnicamente para assumir o cargo.

4.  Deixe claro que o foco é resultado – Além de definir papéis e responsabilidades, o parente deve saber que. Ao assumir um cargo, ele terá que mostrar resultados. Para isso, eles precisam estar bem definidos e acordados logo de início. Nenhum colaborador ou sócio atuante (exceto sócio investidor, apenas) deve permanecer na empresa sem apresentar resultados satisfatórios, não é verdade? Quer ajudá-lo financeiramente, tire de seu bolso e coloque alguém competente no cargo.

5.  Trate de forma igual a todos os outros – Não é porque é parente que tem que ser tratado como tal dentro da empresa, principalmente se ela tiver mais colaboradores. Uma coisa é a relação pessoal, outra coisa é a relação profissional, tipo: “Meu filho são meus olhos aqui, o que ele disser tá dito, pois é filho do dono”. Cuidado com isso! Ou: “Pai, posso ficar vindo aqui só algumas vezes por semana?” Nunca! Colaborador é colaborador e por ser parente tem que dar exemplo.

Portanto, atente para as dicas que dei e comece a avaliar se tudo está indo conforme deve ser. Caso não esteja da forma que sugeri não quer dizer que sua empresa esteja indo mal, mas você consegue avaliar o quanto já perdeu?

Não queira pessoas lhe dando uma “ajudinha” e sim executando o trabalho com foco em resultados.

Por fim, te desejo sucesso, porque sorte está ligada ao acaso e o sucesso, ao seu esforço.


Autoria
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Maurício Guimarães

Maurício Guimarães

Master Coach e Consultor em gestão empresarial com vasta experiência em corporações de diversos portes. Possui formações acadêmicas e em Coaching que lhe dão autoridade no assunto. Professor de vários MBA´s em gestão empresarial e pessoas, atua também como palestrante e treinador comportamental de líderes e equipes.