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Projeto de produção agroecológica gera renda e melhora vida de famílias paraibanas

Já são 470 unidades do Pais em 42 municípios e outras 105 deverão ser instaladas

Produtos fresquinhos e sem agrotóxico, mais dinheiro no bolso e compromisso com o meio ambiente. A Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais) já mudou a vida de quase 500 famílias paraibanas. Somente nos últimos dois anos, o Sebrae Paraíba implantou 150 unidades em seis municípios. Até o final do ano, outras 105 deverão ser instaladas. 

Já existem 470 unidades em 42 municípios paraibanos. A maior produção (73%) se concentra na mesorregião da Borborema. O Pais é uma tecnologia social com base na produção agroecológica, criada para melhorar a qualidade de vida e proporcionar sustentabilidade para as comunidades atendidas. 

Cada unidade reúne um galinheiro no centro, uma horta ao redor e um quintal agroecológico, tudo movido por um sistema de irrigação por gotejamento, o que evita desperdício de água. Cada família ganha um kit composto de equipamentos para irrigação, telas, arames, ferramentas, dez galinhas, um galo, sementes de hortaliças e mudas frutíferas, além de material para construção de viveiro de mudas.

A tecnologia, utilizada em várias partes do país, chegou à Paraíba há oito anos, mas a partir de 2011, um convênio realizado com a Fundação Banco do Brasil possibilitou a ampliação da assistência técnica aos agricultores familiares. Duas vezes por mês, eles recebem a visita dos técnicos do Sebrae e uma vez por mês de um agrônomo. É a hora de tirar todas as dúvidas, consertar o que está errado e melhorar a produção.

“Os agricultores, até então acostumados com o sistema convencional, começaram a ter muitas dúvidas sobre a tecnologia. Foi então que decidimos oferecer a assistência técnica continuada. Nas visitas, orientamos desde a produção até a gestão dos negócios, ensinando a eles formas de comercializar os produtos. Esse é o grande diferencial do projeto”, disse Renato Albuquerque, coordenador do Pais na região do Cariri. A assistência também inclui treinamentos oferecidos pelo Sebrae. Só este ano, mais de 200 agricultores já foram capacitados.

Há quatro anos, o agricultor Antônio Rodrigues de Araújo, 63 anos, decidiu aderir ao projeto e implantou uma unidade em sua propriedade, no sítio Oiti, em Lagoa Seca. Ele conta que antes tinha muitos prejuízos porque vendia a mercadoria por um preço muito baixo. “Muita coisa mudou na nossa vida depois do Pais. Os produtos agora têm destino certo e valem mais. Vendemos uma parte em feiras de Campina Grande e Lagoa Seca e a outra repassamos para a Fazenda Tamanduá, que exporta as hortaliças para grandes supermercados. Sem falar que a família trabalha unida e tem uma alimentação mais saudável”, disse.

Foto: Sebrae PB

 Produção - A mesorregião da Borborema é responsável por 73% da produção de orgânicos, com destaque para a região do Cariri, onde as maiores plantações estão situadas em Monteiro (46,6%), Sumé (43,2%) e Serra Branca (10,2%). Já na mesorregião do Agreste, onde ficam os outros 27%, a produção se concentra em Campina Grande e Lagoa Seca. “Vale ressaltar que esses dados dizem respeito apenas às comunidades atendidas pelo Sebrae. No Estado, existem outras localidades com plantações orgânicas”, explicou Renato.

As 150 unidades implantadas nos últimos dois anos estão distribuídas em Campina Grande (45), Lagoa Seca (25), São João do Cariri (20), Serra Branca (20), Sumé (20) e Monteiro (20). Nelas, são cultivadas mais de 40 tipos de hortaliças, como: alface, couve, cenoura, coentro, couve-flor, repolho, espinafre, cebolinha, rabanete, quiabo, maxixe, abóbora, chicória e rúcula, entre outras. Os produtos são comercializados em feiras convencionais e agroecológicas, além de supermercados.

O projeto, gerenciado pelo Sebrae, é financiado pela Fundação Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), com apoio do Ministério da Integração Nacional. Na Paraíba, tem parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (campus de Sumé), Universidade Estadual da Paraíba (campus de Lagoa Seca), Universidade Federal da Paraíba (campus de Areia), projeto Dom Helder Câmara e prefeituras municipais.internet -campo rural 

Tecnologia – Há sete meses, os técnicos do Sebrae Paraíba contam com uma ferramenta a mais para ajudar no trabalho desenvolvido junto às comunidades que adotaram o projeto. Trata-se do PaisWeb, programa criado pelo setor de tecnologia da informação que permite aos técnicos traçar um perfil socioeconômico de cada unidade.

“Lançamos no programa todos os dados coletados e, a partir dessas informações, temos condições de saber qual a situação de cada unidade, além de acompanhar diariamente a quantidade de orgânicos produzidos e ter um controle do consumo e da venda, por exemplo. Isso facilita nas tomadas de decisões na hora de elaborarmos novos projetos”, explicou o analista do Sebrae e gestor estadual do projeto, João Bosco da Silva.

O software também faz o mapeamento por GPS das unidades do Pais para facilitar o acesso a essas localidades. Além do programa, foi criado um site www.paisweb.com.br ), que contém informações, fotos e notícias sobre o projeto.

Na semana passada, representantes do Sebrae nacional e da Fundação Banco do Brasil estiveram em Campina Grande para conhecer de perto o PaisWeb, que poderá ser adotado no resto do País. A comitiva também visitou algumas unidades do Pais em Lagoa Seca.



Agência Sebrae de Notícias da Paraíba